"Nzambi a tu bane nguzu um kukaiela"

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Stokely Carmichael - Discurso Free Huey Newton (1968): "Nós somos seres humanos e temos emoções...

"Nós somos seres humanos e temos emoções. Estamos lutando pela nossa humanidade! Estamos lutando por nossa humanidade! E ao recuperar nossa humanidade, reconhecemos todas as emoções que temos em nós. Se você tem amor, você tem que ter ódio. Você não tem emoções só de um lado, você sempre tem dois lados: quentes, frios; branco, preto... tudo o que acontece... o amor, o ódio. Porque se você não tem ódio, você não pode diferenciar o amor. Você não pode diferencia-lo! Não pode.

Agora, então, isso nos leva ao ponto sobre comunismo e socialismo. Vamos ao ponto, de uma vez por todas. O comunismo não é uma ideologia adequada para pessoas negras. (aplausos) O socialismo não é uma ideologia voltada para as pessoas negras!(aplausos) Eu vou dizer o porquê e deve tornar-se claro em nossas mentes. Agora não digo isso porque os honkys (brancos) nos chamam de comunistas; não importa o que eles nos chamam, não faz diferença.

As ideologias do comunismo e socialismo falam da estrutura de classes, falam das pessoas que oprimem o povo. Não estamos apenas enfrentando exploração, estamos diante de algo muito mais além. Estamos diante do racismo, porque somos as vítimas de racismo. O comunismo nem o socialismo falam sobre o problema do racismo, e o racismo para os negros deste país é muito mais importante do que a exploração, porque não importa quanto dinheiro você tenha, quando se está no mundo branco você ainda é um negro... (aplausos) você ainda é um nigger... você ainda é um nigger. De modo que, para nós a questão do racismo se torna mais prioritária em nossas mentes. Torna-se em primeiro lugar em nossas mentes.

Como é que vamos destruir as instituições que procuram manter-nos desumanizados? Isso é tudo o que estamos falando, a questão da exploração vem em segundo lugar. Agora para os brancos que são comunistas, a questão dos comunistas vem em primeiro, porque eles são explorados por outras pessoas brancas. Se fossemos explorados por outras pessoas negras, então se tornaria uma questão de como dividir os lucros. Não é o nosso caso, é uma questão de como podemos recuperar a nossa humanidade e começar a viver como gente. E não fazemos por causa dos efeitos do racismo no país.

Temos que, portanto, conscientemente galgar uma ideologia que lida com o racismo em primeiro lugar. E se fizermos isso, reconhecemos a necessidade de se juntar com os 900 milhões de pessoas negras no mundo de hoje. (aplausos)

http://spqvcnaove.blogspot.com.br/2014/05/stokely-carmichael-discurso-free-huey.html?m=1

Kwame Ture, mais conhecido como Stokely Carmichael: "Todos os pretos são meus irmãos e amo-os

"Todos os pretos são meus irmãos e amo-os. Sou o primeiro ministro dos Panteras Pretas e estou preparado para sacrificar a minha vida pela união dos Pretos" - Kwame Ture, mais conhecido como Stokely Carmichael

Fonte: livro Caderno d.quixote 18 Black Power Poder Negro

Stokely Carmichael: “Nos últimos quatrocentos anos, o afro-americano tentou coexistir pacificamente nos Estados Unidos

Stokely Carmichael: “Nos últimos quatrocentos anos, o afro-americano tentou coexistir pacificamente nos Estados Unidos. Foi inútil. Nós nunca linchamos um homem branco, nunca queimamos suas igrejas, nunca bombardeamos suas casas, nunca os espancamos pelas ruas. Gostaria que pudéssemos dizer o mesmo das pessoas brancas de todo o mundo. Nossa história demonstra que a recompensa por tentar coexistir em paz tem sido o assassinato físico e psicológico do nosso povo. Nós fomos linchados, nossas casas foram bombardeadas e nossas igrejas queimadas. Agora, estamos sendo abatidos como cães pelas ruas por policiais racistas brancos. Não podemos mais aceitar essa opressão sem retaliação. Entendemos isso à medida que expandimos a nossa resistência e internacionalizamos a consciência do nosso povo; como o nosso irmão martirizado Malcolm X, teremos a retaliação do governo, como ele sempre faz. À medida que a luta da resistência se intensificar.  […] E até o fim, vamos trabalhar com os nossos irmãos e irmãs comuns do Terceiro Mundo na luta contra essa opressão.”

Stokely Carmichael: "Agora, eu quero fazer uma distinção entre um militante preto e um revolucionário preto

Stokely Carmichael: "Agora, eu quero fazer uma distinção entre um militante preto e um revolucionário preto. Eles são muito confusos porque, de início, se parecem. Um militante preto é um homem preto (Black) irritado – observe que eu não disse negro (Negro) – está irritado com as pessoas brancas por mantê-lo fora do sistema branco. Vocês o veem o tempo todo. Eles descobrem que a cidade está ficando tensa, eles tem seus afros e dashikis, eles correm pelas ruas. Estão nos noticiários, dando conferências de imprensa pelas esquinas. “Se os homens não nos dão um programa de pobreza, esta cidade virá; e vamos seguir para Detroit, e vamos seguir para Washington”. De repente, eles estão na televisão todos os dias, dizendo ao prefeito: “Senhor Prefeito, esta cidade vai queimar. Conheço o sentimento das pessoas no gueto. Eu estou junto com elas. Conheço a sua alienação. Conheço o seu senso de abatimento. Eu sei isso; eu sei disso; e a cidade queimará”. O prefeito coloca-o em um comitê e lhe dá um emprego de US$ 30.000 por ano; então, a cidade explode e eles correm pelas ruas: “Acalme-se, irmãos, começamos o diálogo com o prefeito”.
Mas um revolucionário preto é um jovem irritado que quer derrubar e destruir todo um sistema que oprime o seu povo e o substitua por um novo sistema onde seu povo possa viver como seres humanos.
Este país está cheio de militantes pretos, mas há poucos revolucionários pretos. Precisamos de mais revolucionários pretos e menos militantes. O militante, em última análise, é um homem que se preocupa apenas com ele mesmo; além do que, ele usa os sentimentos do seu povo para se autopromover. Esse é o pior crime que você pode cometer".


sábado, 23 de setembro de 2017

James Baldwin sobre Malcolm

"Malcolm considerava-se propriedade do povo que o havia gerado. Não se considerava seu salvador, era modesto demais para isso e cedeu o papel para outro;mas considerava-se servidor dele e a fim de não trair essa confiança estava pronto a morrer - e morreu. Malcolm não era um racista,nem mesmo quando pensava que o era. Sua inteligência era mais complexa; contudo, se houvesse sido um racista, poucos neste país racista o teriam considerado perigoso. Ele teria sido familiar e até mesmo reconfortante; sua conhecida raiva confirmava a realidade da força branca e sensivelmente inflamava uma bizarra espécie culpa erótica sem a qual, estou começando a acredita, a maior parte dos americanos de maior ou menor convicção liberal simplesmente não poderia respirar. O que o fazia inusual e perigoso não era seu ódio por gente branca, mas o seu amor pelos negros, as razões disso, e sua determinação , portanto, para trabalhar nos corações e nos espíritos deles tinha por finalidade faze-los capazes de enxergar sua própria condição e transformarem-la eles próprios."

James Baldwin
"Sem comunidade não há libertação,só o mais vulnerável e temporário armísticio entre uma pessoa e sua opressão. Mas comunidade não deve significar uma supressão as nossas diferenças."

Audre Lorde

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Esperança revolucionária: uma conversa entre James Baldwin e Audre Lorde - Texto 2

O Museu de Arte Contemporânea da Diáspora Africana republicou essa conversa entre os pensadores icônicos James Baldwin e Audre Lorde na página deles no Tumblr. (link abaixo) A conversa aconteceu no Hampshire College em Amherst, Massachusetts e foi originalmente publicada na reviste ESSENCE em 1984. O diálogo revela a importância de reconhecer que história raciais compartilhadas não podem ofuscar a história divergente de gênero entre homem e mulher Negra. Link para o texto original: http://mocada-museum.tumblr.com/…/revolutionary-hope-a-conv… JB: Um dos perigos em ser um americano Negro é ser esquizofrênico, e eu digo “esquizofrênico” no sentido mais literal. Ser um americano Negro é, de certo modo, nascer com o desejo de ser branco. Podemos retornar ao Vietnã, podemos retornar a Coréia. Podemos retornar até mesmo a Primeira Guerra Mundial. Podemos retornar a WEB Du Bois – um homem lindo e honrado – que fez campanha para persuadir o povo Negro a lutar na Primeira Guerra Mundial, dizendo que se lutássemos nessa guerra para salvar o país, nosso direito a cidadania não poderia ser nunca, nunca questionado novamente – e quem pode culpá-lo? Ele realmente quis dizer isso, e se eu estivesse lá naquele momento eu teria dito também, talvez. Du Bois acreditava no sonho americano. Martin também. Malcom também. Eu também. Você também. E é por isso que estamos sentados aqui. AL: Eu não, querido. Sinto muito. Eu simplesmente não posso deixar isso passar batido. Bem lá no fundo sempre soube que aquele sonho nunca foi meu. E eu chorei e lutei, mas eu sempre soube. Eu era negra. Eu era mulher. E eu estava de fora – fora – de qualquer construção em qualquer lugar que o poder estivesse estabelecido. Se eu tivesse que arranhar-me insanamente, se eu vivesse, eu teria que fazer isso sozinha. Ninguém estava sonhando comigo. Ninguém estava me estudando a não ser como algo a ser chicoteado. JB: Você está dizendo que não existe no sonho Americano a não ser como um pesadelo. AL: Isso mesmo. E eu sabia disso toda vez que abria o Jet, também. Eu sabia disso toda vez que abria uma caixa Kotex. Eu sabia disso toda vez que ia pra escola. Eu sabia disso toda vez que abria um livro de oração. Eu sabia, eu simplesmente sabia. JB: É difícil nascer em um lugar onde você é desprezado e que, também, te prometem que com empenho – com isso, com aquilo, sabe –você pode conseguir o impossível. Você está tentando lidar com o homem, a mulher, a criança – a criança de qualquer sexo – e ele ou ela e seu homem ou sua mulher tem de lidar com o os fatos da vida nesse país 24 horas por dia. Nós não iremos voar para outro lugar, sabe, melhor passarmos por cima de qualquer coisa que aquele dia seja e ainda ter um ao outro e criar nossas crianças – de alguma forma cuidar de tudo isso. E isso é 24 horas de todos os dias e você está rodeado por toda a parafernalha da segurança: se você conseguir essa barganha. Se se certificar que suas axilas estão inodoras. Cachear o seu cabelo. Ser impecável. Ser todas as coisas que o público Americano diz que você deve fazer, certo? Você faz todas essas coisas –e nada acontece. E o que é pior que isso é que nada acontece com seu filho também. AL: O que é ainda pior que o pesadelo é o vazio. E mulheres Negras são o vazio. Eu não quero acabar com isso, e depois ter que parar na parede de divisão masculino/feminino. Quando nós admitirmos e lidarmos com a diferença; quando lidarmos com a profunda amargura; quando lidarmos com os horrores dos nossos mais diversos pesadelos; quando virarmos eles e olharmos para eles, é como olhar para a morte: difícil, mas possível. Se você olhar diretamente para isso, mas sem abraçar, é que existe muito menos que se possa fazer pelo medo. JB: Eu concordo. AL: Bem, da mesma forma que olhamos para nossas diferenças e não nos permitimos estar divididos, quando as possuímos e não nos dividirmos por elas é quando seremos capazes de seguir em frente. Mas não alcançamos o ponto de partida ainda. JB: Não tenho certeza disso. Eu acho que a ideia negra (afrikana) de “masculino” e “feminino” é bem mais sofisticada que a ideia ocidental. Eu penso que homens e mulheres Negras são bem menos influenciados por essa questão de gênero ou preferência sexual – toda aquela coisa. Isso é, pelo menos, verdadeiro de acordo com minha experiência. AL: É, mas vamos nos remover dessa posição meramente reativa – isto é, homens Negros e mulheres (negras) reagindo ao que está por aí. Enquanto reagimos ao que está por aí, estamos também lidando entre com o que acontece entre nós – e entre nós existem diferenças de poder… JB: Ah, sim… AL: Lidar com a maneira que vivemos, reconhecer as diferenças uns dos outros é algo que ainda não aconteceu… JB: Diferenças e igualdades. AL: Diferenças e igualdades. Mas em uma crise, quando todos os nossos traseiros estão em jogo, parece que é mais fácil lidar com as igualdades. Quando lidamos somente com igualdades, nós desenvolvemos armas para usar uns contra os outros quando as diferenças tornam-se aparentes. E chicoteamos uns aos outros – homens Negros e mulheres (negras) podem chicotear uns aos outros – e muito mais efetivamente que as pessoas de fora fazem. JB: É verdade. AL: Nosso sangue está quente, estamos furiosos. Digo, é o que mulheres Negras fazem umas com as outras, homens Negros fazem uns com os outros e pessoas Negras fazem umas com as outras. Estamos com esse negócio de chicotear um ao outro de qualquer maneira – e fazendo o trabalho do nosso inimigido. JB: É bem verdade. AL: Precisamos tomar conhecimento dessas diferenças de poder entre nós e ver aonde elas irão nos levar. Uma grande quantidade de energia está sendo usada em negar as diferenças de poder entre homens Negros e mulheres (negras) ou lutar contra as diferenças de poder entre homens e mulheres Negras ou matar uns aos outros pelas suas costas. Estou falando de sangue de mulheres Negras escorrendo pelas ruas – e como ensinamos a um menino de 14 anos que eu não sou o alvo legítimo da raiva dele? Meu sangue não vai lavar o seu horror. É isso que estou interessada em fazer meninos Negros entenderem. Tem menininhas Negras tendo filhos. Mas não é uma concepção imaculada, e de outro lado temos meninos Negros fazendo filhos, também. Tem criancinhas Negras fazendo criancinhas Negras. Eu quero lidar com isso para que nossas crianças não tenham que repetir esse desperdício deles mesmos. JB: Eu te entendo – mas deixe-me recuar, por bem ou por mal. Sabe, por alguma razão seja certa ou errada, há gerações homens vieram ao mundo, instintivamente sabendo ou acreditando ou sendo ensinados que uma vez que são homens eles precisam, de qualquer maneira, serem responsáveis pelas mulheres e crianças, ou seja, o universo. AL: Hmmm. JB: Acho que não existe uma maneira de contornar isso. AL: Contornar isso agora? JB: Não acho que seja possível contornar esse fato. AL: Se conseguimos colocar as pessoas na lua e explodir esse planeta; se conseguimos considerar cavar 18 polegadas de sujeira de radioatividade dos atóis de biquínis e, de alguma maneira, encontrar alguma coisa a ver com isso – se podemos fazer isso, nós enquanto trabalhadores de cultura Negra podemos contornar isso – porque ninguém mais está comprando a “política das cavernas” – “Mate o mamute ou então a espécie será extinta’. Nós estamos além disso. Aquelas crianças inferiores no sexto ano – Eu quero que essas crianças Negras saibam que a força bruta não é uma maneira legítima de lidar com a diferença sexual. Eu quero estabelecer diferentes paradigmas. JB: É, mas existe uma diferença real entre o jeito que um homem olha para o mundo… AL: Sim, sim… JB: E o jeito que uma mulher olha para o mundo. Uma mulher sabe muito mais que um homem. AL: E por quê? Pela mesma razão que pessoas Negras sabem o que pessoas brancas estão pensando: tivemos que fazer isso por sobrevivência… JB: Tudo bem, tudo bem… AL: Estamos cansadas de servir como ponte. Você não vê? Não são as mulheres negras que estão derramando o sangue de homens Negros na rua – ainda. Não estamos rachando suas cabeças com machados. Não estamos atirando em vocês. Estamos dizendo, “Escutem, o que está acontecendo entre nós é relacionado ao que está acontecendo entre nós e outras pessoas,”, mas temos que resolver nossos próprios problemas ao mesmo tempo em que protegemos nossos traseiros Negros, porque se não o fizermos, estamos gastando energia que precisamos para sobrevivência conjunta. JB: Eu não estou discordando – mas se você coloca a discussão dessa maneira… veja, um homem também uma história para contar, somente porque ele é um homem… AL: Sim, sim, e é vital que eu esteja viva e apta a ouvi-la. JB: Sim. Porque somos a única esperança que temos. Uma desavença familiar é uma coisa; uma desavença pública é outra. E você e eu, sabe… - na cozinha, com as crianças, um com o outro ou na cama – temos muito que lidar um com o outro, mas temos de saber com o que estamos lidando. E não tem como contornar isso. Não tem como contornar isso. Eu sou um homem. Eu não sou uma mulher. AL: Tá certo, tá certo… JB: Ninguém vai me transformar em uma mulher. Você é uma mulher e não é um homem. Ninguém vai te transformar em um homem. E somos indispensáveis um para o outro, e as crianças dependem de nós dois. AL: É vital para mim que eu esteja apta a te ouvir, ouvir o que é que te define e para você me ouvir, ouvir o que é que me define – porque esse tempo todo que estamos operando do modo antigo não serve para ninguém, e, certamente, não tem servido para gente. JB: Eu sei disso. O que eu realmente acho é que nenhum de nós tem que provar alguma coisa, pelo menos não do mesmo jeito, se não estivéssemos na selva Norte-americana. E a inevitável discórdia entre irmão e irmã, entre homem e mulher… - vamos encará-la. Todas essas relações, as quais são baseadas no amor, também estão envolvidas nessa discussão. Porque nossa responsabilidade real é redefinir um ao outro infinitamente. Eu não posso viver sem você, e você não pode viver sem mim – e as crianças não podem viver sem nós. AL: Mas nós temos que nos definir por nós mesmos. Temos que nos redefinir por nós mesmos não importa quais são os alicerces da deturpação, o fato continua sendo que nós absorvemos isso. Todos nós absorvemos essa doença e ideias da mesma maneira que absorvemos o racismo. É fundamental que lidemos constantemente com o racismo, e com o racismo branco entre pessoas Negras – que o reconheçamos como uma área legítima de questionamento. Devemos também examinar a maneira como absorvemos sexismo e heterosexismo. Essas são as normas desse problema no qual nascemos – e precisamos examinar essas deturpações com o mesmo tipo de abertura e dedicação que examinamos o racismo… JB: Você usa a palavra “racismo”… AL: O ódio à pessoas Negras, ou à pessoas de cor… JB: -mas debaixo da palavra “racismo” dorme a palavra “segurança”. Por que é importante ser branco ou Negro? AL: Por que é importante ser homem em vez de ser mulher? JB: Nos dois casos é pressuposto que é mais seguro ser branco que ser Negro. E é pressuposto que é mais seguro ser homem que ser mulher. Essas duas suposições são masculinas. Mas essas são suposições que estamos tentando superar ou confrontar… AL: Confrontar, sim. A vulnerabilidade por trás dessas suposições masculinas é diferente para mim e para você, e nós devemos começar a olhar pra isso… JB: Sim, sim… AL: E a fúria que é gerada na negação dessa vulnerabilidade – temos que quebrá-la, porque tem crianças que estão crescendo acreditando que é permitido derramar sangue feminino, certo? Eu tenho que romper isso porque tem meninos que realmente pensam que a marca da masculinidade deles é engravidar uma menina da sexta série. Tenho que romper isso porque essa menina acha que a única coisa que ela tem na vida é o que está entre as pernas dela… JB: Sim, mas não estamos falando sobre homens e mulheres. Estamos falando sobre uma sociedade em particular. Estamos falando sobre um tempo e lugar em particular. Você estava falando do derramamento de sangue Negro nas ruas, mas eu não entendo -AL: Tá certo, os policiais estão matando os homens e os homens estão matando as mulheres. Estou falando de estupro. Estou falando de assassinato. JB: Eu não discordo de você, mas eu acho que você está atirando no alvo errado. Eu não estou tentando livrar homens Negros – ou sequer mulheres Negras – mas estou falando do reino onde vivemos. AL: Sim, eu concordo plenamente: o reino onde ocorrem essas deturpações tem que ser mudado. JB: Algo acontece com o homem que bate em mulher. Algo acontece com o homem que bate em sua avó. Algo acontece com o drogado. Eu sei bem disso. Eu andei pelas ruas do Harlem; Eu cresci lá, né? Agora você sabe que não é culpa do negro que me vê e tenta me assaltar. Eu aprendi isso. É responsabilidade dele, mas não é culpa dele. É uma nuance. Eu tenho que saber que ele não é meu inimigo quando ele bate na avó dele. A avó dele tem que saber disso. Estou tentando dizer que alguém tem que saber o que nos colocou na rua. Nós dois somos da mesma pista. Você entende o que eu digo? Eu já voltei para casa querendo bater em qualquer coisa que visse na minha frente – mas Audre, Audre… AL: Estou aqui, estou aqui… JB: Eu concordo com você. Sei exatamente o que quer dizer e isso me magoa tanto quanto magoa você. Mas como manobrar-se a passado este ponto? – como não perder a ele ou ela que podem estar no que é uma zona ocupada vigente? Essa é a situação Negra no país. Para o ghetto, tudo o que está faltando é arame farpado, e quando você encurrala as pessoas como animais a intenção é rebaixá-las e você as tem rebaixado. AL: Jimmy, não estamos discutindo. JB: Eu sei que não estamos. AL: O que estamos fazendo é discordar de verdade sobre a sua responsabilidade não só comigo, mas com meu filho e com nossos meninos. Sua responsabilidade com ele é fazer ele entender de um jeito que eu nunca serei capaz porque ele não saiu do meu corpo e tem outra relação comigo. Seu relacionamento com ele, como pai, é dizer a ele que eu não sou o alvo da fúria dele. JB: Certo, certo… AL: Está tão enraizado nele que virou uma parte dele tanto quanto a negritude é. JB: Tudo bem, tudo bem… AL: Eu não posso fazer isso. Você tem que fazer. JB: Certo, eu aceito – o desafio existe em qualquer caso. Nunca pensei que fosse ser o contrário. É absolutamente verdade. Eu só quero identificar onde está o perigo… AL: É, estamos em guerra… JB: Estamos atrás dos portões de um reino que é determinado a nos destruir. AL: Sim, exatamente. Estou interessada em ver nós não aceitarmos termos que irão ajudar destruirmos uns aos outros. E eu acho que uma das formas de destruir uns aos outros é agir sem pensar com nossas diferenças. Agir sem pensar no sexo, na sexualidade… JB: Eu não sei muito bem o que fazer por isso, mas concordo com você. E entendo exatamente o que quer dizer. Você está certa. Ficamos confusos com gêneros – com a noção ocidental do que é ser mulher, o que não é o que uma mulher necessariamente é. Não é certamente a noção Africana do que é ser uma mulher. Ou até mesmo a noção Européia do que é ser mulher. E, certamente, não existe um padrão de masculinidade nesse país que alguém possa respeitar. Parte do horror de ser um Negro norte-americano é estar preso em ser a imitação de uma imitação. AL: Não posso te dizer o que eu queria que você estivesse fazendo. Não posso redefinir o que é masculinidade. Nem posso redefinir masculinidade Negra, certamente. Estou nesse negócio de redefinir a mulheridade Negra. E você, a masculinidade Negra. E eu digo “Por favor, vá em frente e faça isso” porque eu não sei quanto tempo eu consigo segurar essa fortaleza, e eu realmente sinto que as mulheres Negras estão segurando-a e estamos começando a segurá-la de maneira que está deixando esse diálogo menos possível. JB: Sério? Por que você está dizendo isso? Eu não sinto isso. Para mim parece que você está culpando o homem negro pela cilada em que ele está. AL: Não estou culpando o homem negro; estou dizendo para não derramar meu sangue. Não estou culpando o homem negro. Estou dizendo que se meu sangue está sendo derramado, em algum momento eu vou ter uma razão legítima de sacar uma faca e cortar sua cabeça fora, e estou tentando não fazer isso. JB: Se você deixar um homem bravo, vai transformá-lo em uma fera – isso não tem nada a ver com a cor dele. AL: Se deixar uma mulher maluca, ela vai reagir como uma fera também. Existe uma estrutura maior, uma sociedade com a qual estamos em total e absoluta guerra. Vivemos na boca do dragão, e devemos estar capacitados a usar nossas forças para lutar contra isso juntos, porque precisamos uns dos outros. Estou dizendo que em uma batalha conjunta temos que desenvolver armas de verdade, e quando os colocamos contra eles mesmos ficam mais sanguinários, porque nos conhecemos de um jeito particular. Quando apontamos essas armas uns para os outros o derramamento de sangue é terrível. Pior ainda, estamos fazendo isso em uma estrutura onde já combatemos. Não estou negando. É uma discussão familiar que estou tendo agora. Não estou jogando culpa em ninguém. Não culpo homens negros pelo que são. Estou pedindo a eles para irem além. O que estou dizendo é: temos que olhar de forma diferente para o jeito que lutamos contra a opressão conjunta, porque se não, vamos nos explodir. Temos que começar a redefinir os termos do que é uma mulher, do que é um homem, como nos relacionamentos uns com os outros… JB: Mas isso significa redefinir os termos do mundo ocidental… AL: E todos nós temos que fazer isso; todos nós temos que fazer isso… JB: Mas você não compreende que nessa república o único crime real é ser um homem Negro? AL: Não, eu não compreendo isso. Eu entendo que o único crime é ser Negro, e isso me inclui também. JB: O homem negro tem um pau, e eles cortam fora. Um homem negro é um ***** quando tenta ser um modelo para seus filhos e proteger sua mulher. Esse é um crime principal nessa república. E cada homem Negro sabe disso. E cada mulher Negra paga por isso. E cada criança negra. Como você pode ser tão sentimental a ponto de culpar um Negro por uma situação em que ele não tem nada a ver com? AL: Você ainda não superou a questão da culpa. Não estou falando em culpa; estou falando de mudança… JB: Posso te dizer uma coisa? Posso te dizer uma coisa? Posso estar errado ou certo. AL: Não sei – me diga. JB: Você sabe o que acontece a um homem-? AL: Como eu vou saber o que acontece a um homem? JB: Você sabe o que acontece a um homem quando ele está envergonhando de si mesmo quando ele não consegue emprego? Quando as meias dele fedem? Quando ele não consegue proteger ninguém? Quando ele não pode fazer nada? Você sabe o que acontece a um homem quando ele não consegue encarar seus filhos porque ele está com vergonha de si mesmo? Não é como ser uma mulher… AL: Não, está certo. Você sabe o que acontece a uma mulher que dá a luz, coloca uma criança no mundo e tem que se prostituir para alimentá-la? Você sabe o que acontece a uma mulher quando ela enlouquece e bate em seus filhos do outro da sala porque está cheia de frustração e raiva? Você sabe o que é isso? Você sabe o que acontece a uma lésbica que vê sua mulher e seu filho apanhando na rua enquanto outros seis caras a seguram? Você conhece essa sensação? JB: Uhum.. AL: Bem, do mesmo jeito que você sabe como uma mulher de sente, eu sei como um homem se sente porque acontece do ser humano ficar frustrado e desvirtuado porque não conseguimos proteger as pessoas que amamos. Então, vamos começar daí -JB: Tudo bem, certo… AL: - vamos começar daí e entrar em um consenso.

Essence Magazine, 1984.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Carta de Patrice Lumumba a sua esposa

Minha querida esposa,


Eu estou escrevendo estas palavras a você, não sabendo se elas um dia chegarão em suas mãos, ou se estarei vivo quando você as ler.
Ao longo da minha luta pela independência de nosso país nunca duvidei da vitória de nossa causa sagrada, da qual eu e os meus companheiros temos dedicado todas as nossas vidas.
Mas a única coisa que nós queremos para o nosso país é o direito a uma vida digna, a dignidade sem pretensões e a independência sem restrições.
Isso nunca foi o desejo dos colonialistas belgas e de seus aliados ocidentais, estes que receberam, direta ou indiretamente, aberta ou secretamente, apoio de alguns oficiais dos cargos superiores das Nações Unidas, o corpo sobre o qual nós colocamos toda a nossa esperança quando recorremos a ele para obter ajuda.
Eles seduziram alguns dos nossos compatriotas, compraram outros e fizeram de tudo para distorcer a verdade e manchar nossa independência.
O que eu posso dizer é o seguinte, que eu, – vivo ou morto, livre ou preso – não é o que importa.
O que importa é o Congo, nosso povo infeliz, cuja independência está sendo espezinhada.
É por isso que eles nos trancaram na prisão e por esta razão eles mantém-nos longe do povo. Contudo, minha fé continua indestrutível.
Eu sei e sinto profundamente em meu coração que mais cedo ou mais tarde meu povo irá se livrar de seus inimigos internos e externos, que eles levantar-se-ão como um só e dirão “Não!” ao colonialismo, a fim de conquistar sua dignidade em uma terra livre.
Nós não estamos sozinhos. A África, Ásia, os povos livres e os povos que lutam pela sua liberdade em todos os cantos do mundo estarão sempre lado a lado com os milhões de congoleses que não desistirão da luta enquanto houver um colonialista ou um de seus mercenários em nosso país.
Para meus filhos, que eu estou deixando e que, talvez, não os veja novamente, eu quero dizer que o futuro do Congo é esplêndido e que eu espero deles, assim como todo congolês, o cumprimento da tarefa sagrada de restaurar a nossa independência e nossa soberania.
Sem dignidade não há liberdade, sem justiça não há dignidade e sem independência não existem homens livres.
Crueldade, insultos e tortura jamais poderão forçar-me a implorar por misericórdia, porque eu prefiro morrer de cabeça erguida, com uma fé indestrutível e uma profunda crença no destino de nosso país, do que viver submisso e renunciar aos princípios que são sagrados para mim.
O dia virá quando a história falar. Mas não será a história que será ensinada em Bruxelas, Paris, Washington ou nas Nações Unidas.
Será a história que será ensinada nos países que terão se libertado dos colonialistas e de seus fantoches.
A África irá escrever sua própria história e tanto no Norte como no Sul será uma história de glória e dignidade.
Não chores por mim. Eu sei que meu atormentado país será capaz de defender sua liberdade e sua independência.

Vida longa ao Congo!
Vida longa à África!

Da Prisão Thysville,
Patrice Lumumba

Traduzido por Igor Dias

sexta-feira, 25 de agosto de 2017






terça-feira, 15 de agosto de 2017

Garvey teve um acidente vascular cerebral em janeiro de 1940


Garvey teve um acidente vascular cerebral em janeiro de 1940, o que o deixou parcialmente paralisado. Em maio de 1940, George Padmore escreveu um artigo afirmando que Garvey havia falecido, o que irritou tanto a Garvey que ele sofreu um segundo acidente cardíaco fatal. Marcus Garvey morreu em 10 de junho de 1940, em Londres, aos 53 anos.

sábado, 12 de agosto de 2017

Marcus Mosiah Garvey Jr. nasceu em 17 de agosto de 1887, na Baía de Santa Ana


Marcus Mosiah Garvey Jr. nasceu em 17 de agosto de 1887, na Baía de Santa Ana, na Jamaica. Seus pais eram Marcus Mosiah Garvey, um pedreiro e Sarah Jane Richards, uma trabalhadora doméstica. O Marcus Garvey teve onze irmãos, dos quais nove morreram durante a infância. Somente Marcus Garvey e sua irmã velha, Indiana, viveram até a idade adulta.


A segunda esposa de Marcus Mosiah Garvey foi Amy Jacques Garvey (1895-1973)


A segunda esposa de Marcus Mosiah Garvey foi Amy Jacques Garvey (1895-1973). Eles se casaram em Nova York, em 1922, logo após seu divórcio. Amy Jacques desempenhou papéis organizacionais importantes na UNIA e foi a principal responsável por transmitir para as pessoas os ensinamentos pessoais de e sobre Marcus Garvey, depois que ele morreu. Ela e Garvey tiveram 2 filhos Marcus Garvey e Julius Winston Garvey.



A primeira esposa de Marcus Mosiah Garvey foi Amy Ashwood Garvey (1897-1969)


A primeira esposa de Marcus Mosiah Garvey foi Amy Ashwood Garvey (1897-1969). Eles se casaram em Nova York em 1919, mas divorciaram-se em 1922. Amy Ashwood era uma ativista pan-africanista que dedicava uma atenção especial para a luta e os direitos das mulheres pretas.

Marcus Garvey inspirou todos os principais movimentos pretos do século XX


Marcus Garvey inspirou todos os principais movimentos pretos do século XX, tanto na África como nas Américas. Alguns dos seguidores da ideologia de Garvey incluem Elijah Muhammad, Louis Farrakhan, Malcolm X e Martin Luther King Jr. Também líderes de estados independentes africanos, como os presidentes Nnamdi Azikiwe, Kwame Nkrumah, Jomo Kenyatta, Nelson Mandela, Patrice Lumumba, Julius Nyerere, etc.

Em 1928, Garvey criou o Partido Político do Povo (PPP)


Em 1928, Garvey criou o Partido Político do Povo (PPP), que foi o primeiro partido político moderno da Jamaica e o primeiro a defender os interesses da maioria preta. O manifesto do partido exigia a representação oficial no Parlamento britânico, um salário mínimo, uma reforma agrária, uma universidade jamaicana, uma reforma judicial, um sistema elétrico administrado pelo governo, escolas públicas e bibliotecas públicas além de uma ópera nacional.



Marcus Garvey lançou o primeiro empreendimento comercial da UNIA


Marcus Garvey lançou o primeiro empreendimento comercial da UNIA, o Black Star Line Steamship Corporation em Nova York, em 1919. Os objetivos da corporação foram estabelecer um modo eficiente de transporte, comunicação e comércio entre os pretos do mundo e melhorar a estatura, a auto-imagem e o orgulho desse povo. A população preta de várias partes da da diáspora investiram na corporação, comprando ações por cinco dólares cada.

Duse Mohammed Ali


Garvey viajou para a Inglaterra em 1912. No país britânico, Marcus Garvey trabalhou nos escritórios do jornal African Times e Orient Review sob a liderança de Duse Mohammed Ali, o famoso nacionalista preto e jornalista. The African Times e Orient Review foi a primeira revista política produzida por e para os pretos até então publicada na Grã-Bretanha. Essa revista fora lançada entre os anos de 1912-1913 e 1917-1918.

Na foto: Duse Mohammed Ali

A primeira divisão da UNIA foi formada em Nova York


A primeira divisão da UNIA foi formada em Nova York, em maio de 1917. Dentro de um mês, a organização tinha 2 milhões de membros em todo os Estados Unidos. Em 1920, a UNIA tinha 1.100 capítulos em 40 países ao redor do mundo, como Reino Unido, Cuba, Panamá, Costa Rica e Gana. Em 1926, a adesão da UNIA cresceu para mais de 11 milhões de membros. Marcus Garvey construiu a maior organização preta da história.


Durante todo o mês de agosto de 1920, a organização UNIA-ACL de Marcus Garvey realizou sua primeira convenção internacional na cidade de Nova York. A maioria dos eventos aconteceu no New York Liberty Hall. Os maiores eventos foram realizados no mundialmente famoso Madison Square Garden, na cidade de Nova York. Cerca de 25 mil pretos de todo o mundo participaram da convenção. As delegações de 25 países africanos também participaram.


Em 1918, nove anos após o lançamento do seu primeiro jornal, The Watchman, Marcus Garvey e a UNIA lançaram o jornal Negro World. Esse periódico cresceu rapidamente e passou a ser de um fenômeno semanal para um fenômeno mundial; com uma circulação de 200.000, número alto para a época. Apresentava relatórios dos capítulos da UNIA, poesias, trechos literários, uma página de mulheres e comentários sobre eventos globais significativos para os pretos. O jornal da UNIA possuía seções em espanhol e francês. As autoridades coloniais temeram o jornal, e o Negro World fora proibido em muitos países, como Belize, Trinidade, Guiana, Jamaica e vários países africanos


Em um esforço para reconstruir a influência internacional da UNIA, Marcus Garvey mudou-se para Londres em março de 1935. Em Londres, Garvey continuou a falar amplamente sobre o nacionalismo preto e a "África para os africanos, na África e no estrangeiro" , aparecendo freqüentemente no Speaker's Corner Hyde Park.


Em 1923, quando sua empresa de navio a vapor entrou em falência, Garvey foi condenado por fraude postal por usar o correio dos Estados Unidos para coletar dinheiro para investimento em um navio. O governo americano por meio do FBI durante anos tentou uma forma de desarticular a UNIA e deportar Marcus Gavery, e essa questão da fraude postal foi o pretexto que os brancos americanos queriam. Ele foi para a prisão por dois anos. Sua sentença foi comutada pelo presidente Coolidge antes que Garvey fosse deportado para a Jamaica.


Em 1919, Edgar Hoover contratou o primeiro agente preto do FBI para se infiltrar na UNIA. O agente James Wormley Jones foi designado como número de código 800. Outro caso, foi que, um dos confidentes de Garvey, Herbert Boulin era um espião do FBI conhecido como agente P-138.
Na foto: Marcus Garvey sendo preso.



O FBI estabeleceu um programa especial de contra-inteligência chamado COINTELPRO, para neutralizar dissidentes políticos. Entre os anos de 1956 e 1971, o FBI utilizou o programa COINTELPRO para investigar grupos políticos nacionais "radicais" para a inteligência que levariam ao envolvimento de inimigos estrangeiros com esses grupos. De acordo com documentos do FBI, um dos propósitos do programa COINTELPRO era "expor, interromper, desviar, desacreditar ou neutralizar as atividades dos nacionalistas pretos". Eles queriam evitar a ascensão de um "messias" preto; décadas depois de terem destruído Marcus Garvey, os brancos ainda temiam a sua influência e legado.